Às vezes a gente sente, mas não sabe nomear. Há um cansaço que não passa, uma tristeza sem motivo claro, uma irritação que aparece do nada. E quando alguém pergunta o que foi, a resposta é sempre a mesma: nada, só estou cansada.
A ilha
Gosto de pensar nesse lugar como uma ilha. A dor nos envolve como o mar envolve a ilha: está em toda volta, e fica difícil enxergar além dela.
Na ilha, a gente se acostuma. Cria rotinas, segue em frente, dá conta de tudo. Mas por dentro continua isolada, sem saber como chegar ao outro lado.
Por que é tão difícil dar nome ao que sentimos
Muitas de nós aprendemos cedo a engolir o choro, a ser fortes, a não incomodar. Aprendemos a cuidar das emoções dos outros antes das nossas. Com o tempo, perdemos a prática de perguntar: o que eu estou sentindo agora?
Também há emoções que se misturam. A raiva pode esconder uma tristeza. O cansaço pode esconder um luto que nunca teve espaço. Quando tudo vem junto, vira um aperto sem nome.
Nomear é o primeiro passo
Dar nome ao que sentimos não resolve tudo de uma vez. Mas muda a relação com a dor. O que tem nome pode ser olhado, conversado, cuidado. O que não tem nome fica solto, pesando por dentro.
Algumas perguntas simples ajudam a começar:
- Em que momento do dia esse aperto aparece?
- Ele lembra alguma outra fase da minha vida?
- Se esse sentimento tivesse uma voz, o que ele diria?
Escrever as respostas, sem julgar, já é uma forma de se escutar.
Você não precisa atravessar sozinha
Sair da ilha costuma ser mais leve quando alguém caminha ao lado. Na terapia, a gente olha a própria história de outro ângulo, nomeia as emoções e ressignifica o que foi vivido, no seu tempo.
Se fizer sentido para você, converse comigo pelo WhatsApp. E se preferir começar ao lado de outras mulheres, conheça a Casa Lavanda.
Se você está em sofrimento intenso ou pensando em tirar a própria vida, ligue 188 (CVV, 24 horas, gratuito) ou procure o pronto atendimento mais próximo.
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Alessandra Abreu
Terapeuta integrativa do emocional feminino, em Belo Horizonte. Conduz as rodas de conversa e o grupo terapêutico da Casa Lavanda.
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